Quisera



Mais que um mundo de amor,
que uma vida de sonho,
uma doce poesia...
quisera por um momento
ter dor por amar,
viver e não sonhar,
fazer poesia para agredir profundamente...

Cada migalha minha esmigalhar ainda mais,
juntar os pedaços todos,
reter todos os momentos mais tristes,
reunir todas as solidões,
receber de novo todas as recusas...

Colocar tudo isso frente a um espelho.
Depois, olhar tudo, atentamente.
Parar em cada detalhe.
Analisar cada pequena coisa...
num bombardeio atômico de dor.
Aprender muito bem tudo...
como uma criança descobrindo o que há de feio no mundo
para, mais tarde, poder olhar o espelho...

como uma mulher se descobrindo...

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